Uma vida organizada para descobrir o mundo: Laine Eugênio revela destinos, dicas e histórias de viagem

Em algum lugar entre North Vancouver e Xangai, a relações públicas e diretora de marketing do grupo 180 Graus, Laine Eugênio descobriu que o desconhecido não era necessariamente um perigo.

Organização e espontaneidade parecem ocupar lados opostos, mas convivem com naturalidade na forma como Laine Eugênio viaja.

Relações públicas e diretora de marketing do grupo 180 Graus, ela gosta de pesquisar hotéis, montar roteiros, selecionar restaurantes e organizar cada reserva antes do embarque. Ao mesmo tempo, considera importante deixar espaço para mudanças de última hora e para aquilo que só pode ser descoberto quando se chega ao destino.

Essa relação com as viagens começou cedo.

Aos 15 anos, Laine embarcou sozinha para North Vancouver, no Canadá, onde cursou parte do High School. Aos 20, escolheu uma experiência ainda mais distante de sua realidade: foi morar em Xangai para estudar mandarim.

Em entrevista ao Boletim Brio, ela contou como essas experiências influenciaram sua independência, falou sobre a paixão que desenvolveu pela Ásia, indicou a Europa para quem deseja viajar sozinho e revelou como o planejamento passou a fazer parte do prazer de conhecer um novo lugar.

Laine também falou sobre mudanças na maneira como escolhe atrações e destinos. Hoje, por exemplo, evita atividades turísticas envolvendo animais e prioriza experiências que considera mais ligadas à cultura e ao cotidiano dos locais visitados.

Confira:

Boletim Brio: Quem é Laine Eugênio por Laine Eugênio?

Laine Eugênio: É uma pergunta difícil [risos].

Acho que as dualidades da minha personalidade dizem muito sobre quem eu sou.

Sou inquieta e, ao mesmo tempo, extremamente planejadora.

Gosto de ter tudo organizado, mas detesto monotonia.

Faço planos, monto roteiros e penso bastante nos detalhes. Porém, se aparece uma ideia melhor, também adoro mudar tudo.

Gosto de conforto, mas preciso de novidade.

Sou muito dedicada à minha vida profissional, mas também faço questão de aproveitar as experiências que existem fora do trabalho.

Talvez eu seja uma combinação de controle com espontaneidade, intensidade com leveza.

Gosto de ter alguma ideia de para onde estou indo, mas não acho que seja necessário seguir sempre exatamente o mesmo caminho.

No fim, acho que a vida fica muito mais interessante quando a gente acumula histórias, não apenas destinos.

Boletim Brio: Que viagem mais mudou sua visão de mundo?

Laine Eugênio: Na verdade, foram duas.

A primeira foi quando eu tinha 15 anos e fui fazer meu primeiro intercâmbio em North Vancouver, no Canadá.

Fui cursar parte do High School.

Além de ser meu primeiro intercâmbio, também era a primeira vez que eu fazia uma viagem sozinha.

Naquela idade, a experiência abriu um mundo de possibilidades.

Foi a primeira vez que vivi a rotina de morar fora, conviver com outra cultura e conhecer pessoas de diferentes lugares.

Também tive que desenvolver uma independência que eu ainda não conhecia.

Foi uma experiência muito marcante e mantenho amizades daquela época até hoje.

Depois, aos 20 anos, fui para Xangai estudar mandarim.

Essa provavelmente foi a experiência mais desafiadora.

Até hoje às vezes penso de onde tirei coragem para fazer aquela viagem [risos].

A língua era uma barreira enorme.

A alimentação era diferente, o fuso horário era muito distante e os costumes também exigiam uma grande capacidade de adaptação.

Era ainda uma China muito diferente daquela que as pessoas encontram atualmente.

Anos depois, retornei ao país, cerca de uma década mais tarde, e a diferença foi enorme.

Foi quase como conhecer dois momentos muito distintos do mesmo país.

Para mim, foi incrível perceber essa evolução.

Essas duas experiências acabaram me ensinando algo muito importante: não ter tanto medo do desconhecido.

Quando você vive realidades tão diferentes, percebe que é capaz de se adaptar.

Isso me deu muita independência e ampliou bastante a maneira como vejo o mundo.

Boletim Brio: Qual região mais surpreendeu você positivamente?

Laine Eugênio: A Ásia, de modo geral.

Com certeza foi a região que mais me surpreendeu.

Estou apaixonada pela Ásia e minha próxima viagem internacional, inclusive, será para o Japão.

Minha primeira experiência na China aconteceu em uma época em que viajar para lá ainda não era tão comum quanto é hoje.

Eu tinha bastante medo porque era uma realidade completamente diferente da que conhecia.

E foi justamente por isso que a surpresa acabou sendo tão grande.

Morei em Xangai e gostei muito da cidade.

Ela é extremamente cosmopolita.

Sempre faço uma associação com Nova York, que é uma cidade que amo.

Xangai tem essa energia muito urbana, muito intensa.

Claro que enfrentei dificuldades.

A alimentação foi uma delas.

Mas também encontrei ótimos restaurantes e descobri uma riqueza cultural enorme.

A sensação é realmente de estar inserida em uma realidade completamente diferente.

Outro lugar que destacaria é a Tailândia.

A Tailândia me ganhou porque consegue reunir tudo o que eu gosto.

Tem hotéis excelentes, bons restaurantes, vida noturna, compras, natureza e também lugares para quem quer simplesmente descansar.

É muito versátil.

Dependendo do roteiro, você pode viver experiências completamente distintas no mesmo país.

Boletim Brio: Qual é a melhor maneira de organizar uma viagem?

Laine Eugênio: Para mim, a pesquisa antes da viagem é fundamental.

Gosto de estudar bastante o destino e buscar referências.

Também valorizo muito conversar com pessoas que já estiveram naquele lugar porque os relatos ajudam a entender detalhes que às vezes você não encontra em um guia tradicional.

Eu adoro planejamento de viagem.

Sempre digo que a viagem começa quando você compra a passagem.

A partir daquele momento, já começa a expectativa [risos].

Você começa a escolher o hotel, pesquisar o destino, entender qual é a melhor época do ano, montar o roteiro e selecionar restaurantes.

Tudo isso já faz parte da experiência.

É aquela ansiedade boa.

Para organizar, uso muito o Wanderlog.

Já virou uma ferramenta presente em praticamente todas as minhas viagens.

Consigo colocar tudo ali: reservas, vouchers, hotéis, restaurantes, passeios, horários e deslocamentos.

Fica tudo centralizado.

Isso facilita muito porque você não precisa ficar procurando informações espalhadas em lugares diferentes.

Mas, apesar de todas essas questões de organização, minha maior dica é outra: escolha bem a companhia de viagem.

Especialmente em viagens longas.

É muito importante estar com alguém que tenha uma vibe parecida com a sua.

A pessoa precisa gostar de programas semelhantes e ter um ritmo minimamente compatível.

Isso influencia muito mais a viagem do que muita gente imagina.

Boletim Brio: E para quem gostaria de fazer uma viagem sozinho?

Laine Eugênio: Eu não sou exatamente acostumada a viajar sozinha para turismo.

As viagens que fiz sozinha foram ligadas a intercâmbios e estudos.

Nunca organizei uma viagem inteira só para turistar completamente sozinha.

Mas, se fosse indicar um lugar, eu escolheria a Europa.

A Europa oferece uma facilidade de deslocamento muito grande.

Você consegue pegar um trem e, em pouco tempo, estar em outra cidade, em outro ambiente e até em outra cultura.

Acho que isso combina muito com a liberdade de viajar sozinho.

Você consegue alterar os planos, mudar o destino, decidir quanto tempo quer permanecer em cada lugar e fazer tudo no seu ritmo.

Boletim Brio: Existe algum destino cultural que você considere superestimado?

Laine Eugênio: Não gosto de dizer que um destino é superestimado.

Cada pessoa vive um lugar de uma forma diferente.

Um lugar pode ser incrível para alguém e não ter o mesmo impacto para outra pessoa.

O que mudou muito para mim foram determinadas experiências.

Uma delas é o turismo com animais.

Eu já fiz bastante coisa desse tipo.

Já nadei com golfinhos, andei de camelo, tive contato com elefantes, cobras e felinos e assisti a shows envolvendo baleias.

Hoje não repetiria.

Com o tempo, comecei a refletir mais sobre esse tipo de atração e passei a enxergar essas experiências de outra maneira.

Quando você está em uma cultura muito diferente da sua, é fácil simplesmente entrar naquele programa porque ele faz parte do roteiro turístico.

Nem sempre você pensa sobre aquilo que existe por trás.

Hoje prefiro experiências que me conectem mais com a realidade do lugar.

Quero conhecer a gastronomia, as pessoas, os hábitos e a maneira como elas vivem.

Prefiro evitar aquelas atrações criadas apenas para turistas.

As experiências que considero mais autênticas são justamente as que acabam ficando mais fortes na memória.

Boletim Brio: Existe algum lugar que você conheceu e não recomenda?

Laine Eugênio: Não.

Não existe um destino que eu tenha conhecido e para o qual diga que jamais voltaria.

Todos têm alguma coisa que me faria retornar.

Mas existe uma diferença importante: eu não voltaria para repetir a mesma viagem.

Não quero voltar para visitar os mesmos pontos turísticos ou fazer exatamente os mesmos programas.

Se volto, quero conhecer outra versão daquele destino.

Quero explorar um bairro diferente, descobrir restaurantes novos, visitar cidades menores nos arredores ou finalmente conhecer lugares que ficaram fora do primeiro roteiro.

É isso que torna uma segunda viagem interessante para mim.

Agora, obviamente, existem destinos que não fazem parte da minha bucket list.

Eu não tenho muito essa vontade de fazer turismo “diferentão” apenas pelo desafio ou pela ideia de conhecer um lugar muito pouco convencional.

Afeganistão e Coreia do Norte, por exemplo, não despertam interesse.

Egito e Índia são diferentes.

Acho os dois culturalmente incríveis.

Mas também já ouvi muitos relatos, especialmente de mulheres, sobre a necessidade de ter atenção redobrada com a segurança e de fazer um planejamento maior.

Então, se um dia fossem entrar no meu roteiro, seriam viagens feitas com bastante cuidado.

Hoje não são prioridade.

Existem tantos lugares no mundo que quero conhecer antes que prefiro direcionar minhas viagens para eles.

Boletim Brio: Quais são seus três lugares favoritos no mundo?

Laine Eugênio:

  1. Nova York
  2. Florença
  3. Xangai

Fonte: Boletim Brio.

Conteúdo Relacionado